Especialista alerta para impacto metabólico precoce e destaca dados do World Obesity Atlas 2026, relatório internacional que analisa o avanço global do excesso de peso.
A obesidade infantil tem se consolidado como um dos principais desafios de saúde pública no mundo. O aumento do excesso de peso entre crianças e adolescentes já está associado ao surgimento cada vez mais precoce de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.
Dados reunidos no World Obesity Atlas 2026, publicado pela World Obesity Federation, indicam que o cenário tende a se agravar nas próximas décadas. O relatório reúne estimativas globais, regionais e nacionais sobre sobrepeso e obesidade e analisa os impactos da condição na saúde ao longo da vida.
Segundo o atlas, o excesso de peso na infância aumenta significativamente o risco de alterações metabólicas ainda nos primeiros anos de vida, o que pode influenciar diretamente a saúde na adolescência e na fase adulta.
A publicação foi elaborada com base em dados de instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, o Institute for Health Metrics and Evaluation, o Banco Mundial, a UNICEF e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
Para o pediatra e endocrinologista pediátrico Dr. Luiz Cláudio Gonçalves de Castro, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, o aumento da obesidade infantil exige atenção não apenas pelo impacto imediato, mas também pelas consequências a longo prazo.
“A obesidade infantil não é apenas uma questão estética ou de peso corporal. Ela está associada a alterações metabólicas importantes que podem surgir ainda na infância e aumentar significativamente o risco de doenças crônicas ao longo da vida”, explica.
Segundo o especialista, mudanças no estilo de vida têm contribuído para o crescimento dos casos em diferentes países.
“Hoje observamos uma combinação de fatores que favorece esse cenário: maior consumo de alimentos ultraprocessados, redução da atividade física, aumento do tempo em telas e mudanças no padrão alimentar das famílias. O ambiente em que a criança vive influencia diretamente no risco de obesidade”, afirma.
De acordo com o médico, estratégias de prevenção e acompanhamento precoce são fundamentais para reduzir os impactos da doença.
“Quanto mais cedo conseguimos intervir, incentivando hábitos alimentares saudáveis, atividade física e acompanhamento médico, maiores são as chances de evitar que o excesso de peso se mantenha na adolescência e na vida adulta”, destaca.
A obesidade infantil e suas implicações metabólicas têm sido cada vez mais debatidas no meio científico e devem integrar discussões do Encontro Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica (EBEP), que reúne especialistas para discutir avanços e desafios na saúde hormonal e metabólica de crianças e adolescentes.

























