Salvador – Durante o Congresso Gastro Bahia, realizado no dia 26 de março, no Hotel Mercure, em Salvador, a gastroenterologista e hepatologista Maria Gabriela Dezan destacou os principais sinais, causas e formas de tratamento da cirrose hepática, doença que atinge o fígado de forma progressiva e pode levar a complicações graves.
Segundo a especialista, pacientes com cirrose hepática, especialmente em estágios mais avançados, costumam apresentar sintomas clínicos evidentes. Entre eles estão a ascite, caracterizada pelo acúmulo de líquido na cavidade abdominal, e a icterícia, identificada pela coloração amarelada dos olhos.
O diagnóstico da doença pode ocorrer tanto por meio da observação clínica quanto por exames de imagem e laboratoriais. “Em muitos casos, o paciente realiza um ultrassom por outro motivo e o exame já demonstra alterações no fígado e no baço que sugerem cirrose”, explicou. Alterações como níveis baixos de albumina, bilirrubina elevada e redução na contagem de plaquetas também podem indicar quadros mais avançados, frequentemente associados à hipertensão portal.
A médica ressaltou que as causas da cirrose são variadas, sendo atualmente mais comuns a esteatose não alcoólica — popularmente conhecida como gordura no fígado — e a doença hepática alcoólica, relacionada ao consumo excessivo de álcool. As hepatites virais B e C também figuram entre os fatores de risco, embora apresentem redução nos novos casos devido à ampliação da vacinação e aos avanços no tratamento.
Outras condições menos frequentes, como colangite biliar primária, colangite esclerosante primária e hepatite autoimune, também podem levar ao desenvolvimento da doença.
De acordo com Maria Gabriela Dezan, a cirrose não surge de forma repentina, mas resulta de agressões contínuas ao fígado ao longo do tempo. Por isso, a prevenção e o tratamento passam, inicialmente, pela identificação e controle da causa. “É fundamental tratar os fatores de risco, como obesidade, consumo de álcool e infecções virais, para evitar a progressão da doença”, afirmou.
O tratamento da cirrose envolve o controle dos sintomas e das complicações associadas, como a ascite e a encefalopatia hepática. Nos casos mais avançados, o transplante de fígado é considerado o tratamento mais eficaz. O procedimento é realizado tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pela rede privada, mas possui critérios específicos de indicação.
“A avaliação é criteriosa, e nem todos os pacientes são candidatos ao transplante. Enquanto isso, o acompanhamento médico é essencial para evitar complicações e retardar a progressão da doença”, concluiu a especialista.
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