Foto: José Cupertino
A corrida tem se tornado cada vez mais popular no Brasil. De acordo com dados do Ticket Sports (plataforma de vendas de eventos esportivos), 45% dos inscritos em provas participaram de suas primeiras corridas em 2025, número que mostra o crescimento da modalidade no país. Em Salvador não é diferente: em busca de qualidade de vida e saúde, diversas pessoas têm aderido a esse esporte.
Porém, quando não praticada de forma correta, o que deveria ser um momento de bem-estar pode se tornar doloroso e frustrante. Atuando em prol da saúde das pessoas há quase 20 anos, o profissional de educação física e diretor da assessoria esportiva Runners Club, Felipe Chokito, destacou algumas orientações essenciais para quem deseja começar a correr com segurança.
“Para começar de forma correta, o segredo não é correr o mais rápido possível, mas sim construir uma boa base. Realizar uma avaliação cardiológica antes de tudo vai garantir que seu ‘motor’ está pronto para a carga. Outro ponto importante é a alternância entre a caminhada e a corrida. O iniciante não deve correr 5 km direto. O certo é iniciar com o método de intervalos, por exemplo: 2 minutos caminhando e 1 minuto trotando. Isso educa o corpo sem sobrecarregar o sistema cardiovascular”, explicou.
Chokito também afirma que o corpo precisa de regularidade. É melhor treinar três vezes por semana durante 20 minutos do que uma vez por semana por uma hora. Além disso, quem deseja correr precisa construir músculos. Musculação ou exercícios funcionais são o “seguro de vida” das articulações.
Dores e lesões
Quem inicia no mundo da corrida pode sentir desconforto, o que é conhecido como ‘dor tardia’ após o treino. Ela é sinal de que as fibras musculares estão se adaptando e costuma desaparecer em até 48 horas.
Vale destacar que dor articular ou óssea — como pontadas no joelho, canela, quadril ou tendão de Aquiles — não é normal. Já uma lesão costuma ocorrer quando o volume (distância) ou a intensidade (velocidade) superam a capacidade de regeneração do tecido.
“Com uma assessoria como a Runners Club, o risco é minimizado porque o volume é controlado matematicamente para cada tipo de perfil. Sentir dor crônica é sinal de erro na carga ou na biomecânica”, esclareceu.
Vale ressaltar que o corpo necessita de um tempo para se acostumar com o novo esporte. As pessoas que priorizam ter um acompanhamento com uma assessoria esportiva seguem, em média, o tempo abaixo de adaptação:
1 a 4 semanas: melhora da coordenação motora e ajuste da respiração;
2 a 3 meses: adaptação fisiológica, com o coração mais eficiente e músculos mais resistentes;
6 meses ou mais: início dos resultados de performance. Com base sólida construída, o corpo está pronto para buscar melhores tempos (pace) ou distâncias maiores (10 km, 21 km), com baixo risco de quebra.
Outras dúvidas comuns estão relacionadas aos acessórios necessários para garantir mais segurança durante a prática. Chokito destaca que segurança não tem a ver com luxo, mas com equipamentos eficazes.
O tênis, item mais importante, precisa ter amortecimento adequado. Não precisa ser o mais caro, mas deve ser específico para corrida e adequado ao tipo de pisada (neutra, pronada ou supinada). Também é importante escolher roupas adequadas: evitar algodão, que retém suor e fica pesado, e optar por tecidos como poliamida e poliéster (dry-fit).
Para finalizar, é fundamental o uso de protetor solar, além de boné e/ou óculos para proteção dos olhos.
“No processo de evolução, há dois itens importantes que podem incrementar o kit de acessórios: o relógio com GPS ou smartwatch, que serve para monitorar o ritmo (pace) e a frequência cardíaca, e o cinto de hidratação para treinos mais longos, acima de 60 minutos”, concluiu Chokito.

























