Um levantamento recente do Ministério da Saúde revela um dado alarmante: o Brasil registra, em média, um caso de envenenamento a cada duas horas. Entre 2013 e 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 45.511 atendimentos por intoxicação em todo o país.
Os casos envolvem diferentes situações, como ingestão acidental de medicamentos, contato com agrotóxicos, uso inadequado de produtos de limpeza e até tentativas de suicídio. Crianças e adolescentes estão entre as vítimas mais vulneráveis, especialmente quando há falta de orientação e armazenamento adequado de substâncias tóxicas dentro de casa.
Especialistas alertam que o número real pode ser ainda maior, já que nem todas as ocorrências chegam a ser notificadas oficialmente. “A subnotificação ainda é um desafio. Muitas pessoas se automedicam ou procuram clínicas privadas, e esses dados não entram nos registros nacionais”, explica a toxicologista clínica Maria Silva.
Além dos riscos imediatos à saúde, como falência de órgãos e sequelas neurológicas, os envenenamentos geram impacto financeiro ao sistema público. Estimativas apontam que cada internação pode custar milhares de reais ao SUS, sem contar o ônus social causado pela perda de vidas e afastamento do trabalho.
O Ministério da Saúde recomenda atenção redobrada com o armazenamento de medicamentos e produtos químicos, além da busca imediata por atendimento médico em casos de suspeita de intoxicação. No Brasil, o Disque-Intoxicação (0800 722 6001) funciona 24 horas por dia, oferecendo orientações gratuitas à população.
A gravidade do problema reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para controlar a venda e o uso de substâncias químicas, além de campanhas educativas que ajudem a reduzir o número de casos nos próximos anos.

























