Uma das principais causas de transplante de córnea no país avança e Hospital CEMA registra alta nos atendimentos da doença; sozinha, a Instituição concentra quase 8% de todo o volume nacional da doença. Especialista reforça que diagnóstico precoce evita cirurgia em até 90% dos casos
Um gesto simples, quase automático, feito para aliviar uma coceira ou o cansaço nos olhos, esconde um perigo alarmante que pode custar a visão. No mês do Junho Violeta, campanha nacional de conscientização sobre o ceratocone, o Hospital CEMA, referência em oftalmologia, com 50 anos de atuação no Brasil, acende um alerta vermelho para a população: a falta de informação e de consultas preventivas ao oftalmologista está deixando milhares de jovens com dificuldade na visão e na fila de transplantes.
O ceratocone é uma doença crônica que acomete a córnea — a camada transparente que protege o olho. Sob a influência de fatores genéticos e, crucialmente, do atrito mecânico (o ato de coçar), a córnea perde sua espessura, curvando-se para frente em um formato cônico. O resultado é uma distorção severa da visão, que evolui para astigmatismo irregular e miopia acentuada, muitas vezes dificultando a correção com óculos.
A doença não escolhe idade, mas tem um alvo preferencial assustador: crianças, adolescentes e jovens adultos, geralmente entre os 10 e 25 anos. É nessa fase de desenvolvimento que o ceratocone costuma surgir e progredir mais rapidamente. O grande problema é que, nessa idade, a queixa de “visão embaçada” costuma ser confundida com o aumento natural de grau, retardando o diagnóstico correto.
As 4 características iniciais que a população ignora (e quando ligar o alerta):
Coceira ocular crônica: geralmente associada a rinites, asma ou alergias sazonais. É o principal combustível para a evolução da doença;
Troca frequente de óculos: se o grau de astigmatismo ou miopia muda drasticamente em menos de um ano, o diagnóstico pode não ser apenas erro de refração;
Visão borrada e distorcida: dificuldade para enxergar de longe, ler ou ver placas de trânsito, mesmo com óculos e,
Fotofobia extrema: sensibilidade acentuada à luz.
Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que cerca de 150 mil brasileiros convivem ou recebem o diagnóstico de ceratocone anualmente. Embora a prevalência na população geral pareça controlada sob a ótica de estatísticas raras, a velocidade e a agressividade com que a doença deforma a visão de adolescentes e jovens são avassaladoras. O resultado dessa falta de diagnóstico precoce é um dado alarmante de saúde pública: o ceratocone isolado é, hoje, a maior causa para a realização de transplantes de córnea no Brasil.
90% dos casos graves poderiam ser evitados
O tom dos especialistas do Hospital CEMA é de urgência, reforçando que até 90% dos casos de evolução da doença poderiam ser evitados se houvesse uma cultura estabelecida de prevenção e acompanhamento especializado precoce.
O ceratocone não tem cura, mas tem controle. Quando diagnosticado no início, tratamentos modernos e minimamente invasivos — como o Crosslinking, procedimento que utiliza riboflavina (vitamina B2) e luz ultravioleta para fortalecer as fibras de colágeno da córnea — consegue frear a progressão da doença, evitando, na grande maioria dos pacientes, a necessidade futura de um transplante de córnea.
A prevenção e o controle do ceratocone não são feitos com exames de rotina simples de “leitura de letrinhas”. O acompanhamento eficaz exige exames de alta tecnologia diagnóstica, pilares do atendimento do Hospital CEMA, tais como:
Topografia e Tomografia de Córnea (Pentacam): mapeiam em 3D a espessura e a curvatura exata da córnea, detectando o ceratocone antes mesmo dos primeiros sintomas visuais aparecerem.
Consultas Semestrais/Anuais: para pacientes diagnosticados, o monitoramento a cada 6 meses é crucial para avaliar se a doença parou de evoluir ou se precisa de nova intervenção cirúrgica.
Tratamento Multidisciplinar: controle rigoroso da alergia ocular (com colírios específicos prescritos por médicos, nunca automedicação) para eliminar de vez o hábito de coçar os olhos.





















