A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento Inluriyo (imlunestranto), primeiro tratamento oral autorizado no Brasil para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático do tipo receptor hormonal positivo (ER+) e HER2 negativo, que apresentam mutação no gene ESR1 e já foram submetidas à terapia endócrina.
Desenvolvido pela farmacêutica Lilly, o medicamento atua bloqueando e promovendo a degradação dos receptores de estrogênio alterados, um dos principais mecanismos associados à resistência aos tratamentos hormonais convencionais e à progressão da doença.
As mutações no gene ESR1 são incomuns nos estágios iniciais do câncer de mama, mas podem surgir ao longo do tratamento hormonal. Estudos apontam que, entre pacientes com câncer metastático que já passaram por pelo menos uma linha de terapia endócrina, essa alteração genética pode estar presente em até 50% dos casos de resistência ao tratamento.
Segundo especialistas, a mutação faz com que os receptores de estrogênio permaneçam ativos mesmo na ausência do hormônio, favorecendo o crescimento e a disseminação do tumor.
Os dados do estudo clínico de fase 3 EMBER-3 demonstraram que o Inluriyo reduziu em 38% o risco de progressão da doença ou morte em comparação com a terapia endócrina padrão. Entre as pacientes com mutação ESR1, a sobrevida livre de progressão foi de 5,5 meses, frente aos 3,8 meses observados com os tratamentos convencionais.
Para o diretor médico da Lilly do Brasil, Luiz André Magno, a aprovação representa um avanço importante no tratamento personalizado do câncer de mama metastático. “A oncologia mamária avança cada vez mais para terapias guiadas por biomarcadores, ampliando as possibilidades de tratamentos individualizados e oferecendo novas perspectivas para pacientes com câncer de mama metastático ER+, HER2– e mutação ESR1”, afirmou.
O especialista destacou ainda que o novo medicamento oral oferece uma abordagem inovadora e mais conveniente para pacientes que enfrentam uma condição complexa, com potencial para melhorar tanto os resultados clínicos quanto a qualidade de vida.
Em relação à segurança, o medicamento apresentou perfil favorável durante os estudos clínicos. Os eventos adversos mais frequentes foram diarreia, náuseas, anemia e fadiga, predominantemente de intensidade leve a moderada. A taxa de interrupção do tratamento devido a efeitos adversos foi de apenas 4,3%, indicando um balanço positivo entre eficácia e segurança.





















