O debate sobre a incorporação das chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS) ganhou novo impulso no Brasil. Enquanto os governos de Goiás, Rio de Janeiro e do Distrito Federal avançam na adoção de medicamentos à base de semaglutida em programas específicos, o Ministério da Saúde confirmou uma nova avaliação para ampliar o acesso a esses tratamentos na rede pública.
A nova análise será conduzida pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que examinará um pedido da farmacêutica Novo Nordisk para incluir o medicamento Wegovy no sistema público. Desta vez, a proposta é direcionada a pacientes com obesidade e histórico de doenças cardiovasculares, especialmente aqueles que já sofreram infarto.
Em 2025, a incorporação da semaglutida havia sido rejeitada devido ao elevado impacto financeiro estimado, que poderia alcançar R$ 8 bilhões. Na nova proposta, a empresa apresentou descontos mais amplos, chegando a até 59% sobre o preço anteriormente ofertado, o que pode reduzir significativamente os custos para o sistema público.
Enquanto a discussão nacional avança, estados e municípios já implementam iniciativas próprias. O município do Rio de Janeiro estruturou um programa para atender cerca de 3 mil pacientes por ano, enquanto Goiás aprovou protocolo voltado para adolescentes e jovens com obesidade. O Distrito Federal também prepara a aquisição dos medicamentos e finaliza os critérios clínicos para o acesso ao tratamento.
Especialistas e gestores de saúde destacam, no entanto, que a eficácia das canetas emagrecedoras depende do acompanhamento multiprofissional e da adoção de hábitos saudáveis, incluindo alimentação adequada, atividade física e suporte psicológico. O Ministério da Saúde também acompanhará estudos clínicos em andamento para avaliar a efetividade e a viabilidade da incorporação desses medicamentos na realidade do SUS.
A nova análise pode representar uma mudança importante na política pública de enfrentamento da obesidade no Brasil, doença que afeta milhões de brasileiros e está associada a diversas complicações cardiovasculares e metabólicas





















