Desde a pandemia da Covid-19, o avanço de doenças infecciosas voltou a ocupar o centro das preocupações da comunidade científica. Uma análise do infectologista Patrick Jackson, professor da University of Virginia, aponta três vírus que merecem atenção especial nos próximos meses por apresentarem risco de expansão e impacto na saúde pública.
O estudo, publicado no site The Conversation, destaca que fatores como o aquecimento global, o crescimento populacional e o aumento da mobilidade humana criam condições favoráveis para a disseminação de patógenos em diferentes regiões do mundo.
Gripe aviária preocupa pesquisadores
Entre as principais ameaças está a influenza A, especialmente o subtipo H5N1, conhecido como gripe aviária. O vírus é considerado perigoso por sua capacidade de infectar diversas espécies e sofrer mutações frequentes.
Identificado em humanos pela primeira vez na China, em 1997, o H5N1 se espalhou globalmente por meio de aves migratórias. Em 2024, foi detectado em rebanhos de vacas-leiteiras nos Estados Unidos, ampliando o alerta entre autoridades sanitárias.
Dados dos Centers for Disease Control and Prevention indicam que, desde 2024, foram registrados 71 casos humanos e duas mortes associadas ao vírus no país. Até o momento, não há evidências de transmissão sustentada entre pessoas.
Segundo Jackson, o maior risco é que o vírus adquira a capacidade de se espalhar facilmente entre humanos, o que poderia dar início a uma nova pandemia. Além disso, as vacinas atuais não oferecem proteção específica contra o H5N1, o que reforça a necessidade de novos imunizantes.
Mpox se consolida fora da África
Outro vírus que segue sob monitoramento é o mpox, anteriormente conhecido como varíola dos macacos. Durante décadas, a doença esteve concentrada na África Subsaariana, mas ganhou projeção mundial em 2022, quando um surto atingiu mais de 100 países.
A transmissão ocorre principalmente por contato próximo entre pessoas, inclusive durante relações sexuais. Apesar da redução no número de casos após o pico do surto, o vírus permanece ativo em várias regiões.
Enquanto o clado II se estabeleceu globalmente, países da África Central registram aumento de casos do clado I, considerado mais grave. Desde 2025, casos dessa variante também foram identificados nos Estados Unidos, inclusive em pessoas sem histórico de viagem.
Há vacina disponível contra a doença, mas ainda não existem tratamentos específicos comprovadamente eficazes.
Vírus Oropouche avança nas Américas
O terceiro vírus citado pelo especialista é o Oropouche, identificado nos anos 1950 no Caribe. Transmitido por mosquitos e pequenos insetos conhecidos como maruins, ele provoca sintomas como febre, dor de cabeça e dores musculares.
Por décadas, a circulação esteve concentrada na região amazônica. No entanto, desde os anos 2000, o vírus vem se espalhando por outras áreas da América do Sul, América Central e Caribe.
De acordo com Jackson, a presença do inseto transmissor em grande parte do continente americano aumenta o risco de expansão da doença. Atualmente, não há vacina nem tratamento específico contra o Oropouche.
Outras doenças também preocupam
Além desses três vírus, o infectologista chama atenção para o crescimento de surtos de chikungunya, o aumento de casos de sarampo em países com baixa cobertura vacinal e o risco de avanço do HIV, especialmente em regiões afetadas por cortes em programas de apoio internacional.
O pesquisador também alerta para o surgimento de novos vírus, impulsionado pelas mudanças ambientais e pela maior interação entre seres humanos, animais e ecossistemas.
Vigilância é fundamental
Para Jackson, o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o investimento em pesquisa e o desenvolvimento de vacinas e tratamentos são essenciais para prevenir novas crises sanitárias.
“A vigilância contínua e o avanço da ciência são fundamentais para manter a população protegida”, afirma.





















