O ano de 2025 trouxe avanços importantes na luta contra o Alzheimer, uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras da atualidade. Ainda sem cura, o Alzheimer tem mobilizado cientistas do mundo inteiro em busca de diagnósticos mais precoces e terapias capazes de retardar sua progressão. Entre as novidades recentes, cinco descobertas se destacam pelo potencial de transformar a forma como a medicina enfrenta o problema.
A primeira delas vem do Brasil, onde um estudo longitudinal com 145 idosos validou biomarcadores no plasma sanguíneo para diagnóstico e predição da doença. Publicado na revista Nature Communications, o trabalho comparou os marcadores plasmáticos com exames do líquor e critérios clínicos, mostrando que a análise de sangue pode se tornar uma alternativa mais acessível para rastreamento, sobretudo em regiões onde exames sofisticados são inviáveis.
Outra frente que ganhou força em 2025 são os anticorpos anti-amiloide, como o lecanemab e o donanemab. Ambos já haviam apresentado resultados em fases anteriores, mas novos estudos confirmaram sua capacidade de desacelerar modestamente o declínio cognitivo em pacientes nos estágios iniciais da doença. O lecanemab foi aprovado pela União Europeia, e o donanemab segue em avaliação. Para Cristina Maragall, neurologista e presidenta da Fundação Pasqual Maragall, “esse 30% de desaceleração pode se traduzir em meses extras de autonomia e qualidade de vida para muitos pacientes”, declarou ao jornal El País.
Enquanto as placas de amiloide continuam sendo alvo de pesquisa, cresce também o interesse por terapias anti-tau. O posdinemab, anticorpo humano em estudo clínico de fase 2, recebeu a designação Fast Track da FDA, nos Estados Unidos. Ele atua nos emaranhados da proteína tau, estruturas intracelulares associadas à morte de neurônios. Se bem-sucedido, pode inaugurar uma nova linha terapêutica complementar às drogas anti-amiloide.
Pesquisadores do Salk Institute, nos Estados Unidos, também deram um passo além ao explorar o papel dos astrócitos, células de suporte abundantes no cérebro. Estudos recentes mostraram que, em cérebros com Alzheimer, essas células perdem a capacidade de fortalecer conexões sinápticas. A aposta agora é desenvolver terapias que reativem os astrócitos, ajudando a preservar ou restaurar a comunicação entre neurônios.
Por fim, uma equipe de cientistas revelou resultados promissores com a proteína hevin. Em modelos animais, a superexpressão dessa molécula conseguiu reverter déficits cognitivos relacionados ao envelhecimento e à neurodegeneração, recuperando funções de memória e aprendizado. Embora ainda em estágio pré-clínico, o estudo, divulgado pela Agência FAPESP, aponta para uma nova abordagem baseada na regeneração sináptica, indo além da simples contenção dos depósitos tóxicos da doença.
Especialistas reconhecem que os avanços ainda enfrentam desafios consideráveis. Muitos tratamentos oferecem apenas ganhos modestos, alguns apresentam efeitos colaterais relevantes e há o problema do alto custo, que pode dificultar o acesso em sistemas de saúde públicos como o SUS. Mesmo assim, os resultados de 2025 reforçam que a ciência está mais perto de transformar o Alzheimer em uma condição tratável, com diagnósticos mais precoces e terapias capazes de garantir maior qualidade de vida aos pacientes e suas famílias.





















