As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo, responsáveis por milhões de óbitos todos os anos. Em resposta a esse cenário, novas diretrizes nacionais foram publicadas em 2025, atualizando protocolos de diagnóstico, prevenção e tratamento de condições como hipertensão arterial e dislipidemias, dois dos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
No caso da hipertensão arterial, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) passou a recomendar que o tratamento seja iniciado com a combinação de medicamentos de classes diferentes, em vez do modelo antigo, que priorizava aumentar doses ou substituir um único fármaco. Se a meta de controle pressórico não for atingida, deve-se introduzir uma terceira classe de forma escalonada. Para pessoas com diabetes tipo 2, o controle se tornou ainda mais rigoroso: a terapia deve começar quando a pressão atingir valores iguais ou superiores a 130 por 80 mmHg, e a meta ideal é manter os níveis abaixo desse patamar, devido ao maior risco de complicações cardiovasculares nesse grupo.
As mudanças também alcançam o manejo das dislipidemias e a prevenção da aterosclerose. A nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias trouxe metas mais rígidas para o colesterol LDL e para o colesterol não-HDL, principalmente em pacientes de alto ou extremo risco cardiovascular. Pela primeira vez, foi incluída a recomendação de dosagem da lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), marcador importante na estratificação do risco, mas ainda pouco solicitado na prática clínica. O documento também reforça o uso de terapias combinadas, como estatinas associadas a ezetimiba ou inibidores de PCSK9, sempre que necessário para atingir os novos objetivos de tratamento.
Outro ponto de destaque é a possibilidade de realizar exames de perfil lipídico sem jejum, o que deve facilitar a rotina clínica e melhorar a adesão dos pacientes. A estratificação de risco cardiovascular também foi atualizada, passando a incluir categorias mais detalhadas, como a de risco extremo, além de considerar o uso de biomarcadores e exames de imagem como ferramentas auxiliares.
Especialistas avaliam que as mudanças trazem benefícios importantes para a redução de eventos como infartos e AVCs, mas também representam novos desafios. O tratamento intensivo pode aumentar a complexidade das terapias e exigir mais acompanhamento médico para garantir a adesão dos pacientes. Além disso, a incorporação de exames mais sofisticados e de medicamentos de alto custo pode pressionar o orçamento do sistema de saúde, sobretudo no âmbito do SUS.
As novas diretrizes refletem avanços da ciência e a necessidade de estratégias mais agressivas no combate às doenças cardiovasculares. Para que tenham impacto real na redução da mortalidade, será fundamental garantir o acesso universal aos exames, medicamentos e acompanhamento médico, além de reforçar políticas públicas voltadas à promoção da saúde, prevenção e educação da população.





















