Nos últimos anos, os medicamentos para controle do peso passaram por uma verdadeira revolução. Depois da chegada dos injetáveis à base de agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida (comercializada como Mounjaro), a indústria farmacêutica aposta agora em versões orais capazes de oferecer resultados semelhantes com mais praticidade. A tirzepatida, atualmente disponível apenas em aplicação semanal, demonstrou em estudos clínicos perda média de até 20% do peso corporal em pessoas com obesidade ou sobrepeso, além de benefícios no controle da glicose e melhora de fatores de risco cardiometabólicos.
A grande expectativa, no entanto, está voltada para compostos em pílula que seguem o mesmo princípio de ação. Entre eles, a orforgliprona, desenvolvida pela Eli Lilly, desponta como candidata promissora. Em um ensaio com mais de 3 mil voluntários sem diabetes, a substância alcançou, após 72 semanas, reduções médias de cerca de 11% do peso corporal nas doses mais altas, com melhora na pressão arterial, circunferência abdominal e níveis de colesterol. Efeitos adversos, na maioria leves ou moderados, foram sobretudo gastrointestinais. Outra molécula em destaque é a versão oral da semaglutida, que em estudos recentes mostrou perdas de peso acima de 16% em determinados grupos.
A transformação dessas descobertas em produtos disponíveis, porém, depende de etapas regulatórias. A expectativa é que os primeiros comprimidos específicos para perda de peso com eficácia comparável aos injetáveis cheguem ao mercado internacional entre o final de 2025 e o início de 2026, começando pelos Estados Unidos. Depois, cada país deverá avaliar sua aprovação e registro, o que pode levar mais tempo em locais como Brasil e União Europeia.
Especialistas ressaltam que, mesmo com novas formulações, o tratamento da obesidade continua exigindo acompanhamento médico, adaptação alimentar e prática de exercícios. Além disso, será preciso acompanhar por mais tempo a segurança desses fármacos e definir políticas de acesso para que o custo não se torne uma barreira. A chegada de medicamentos orais marca um novo capítulo no combate ao excesso de peso e pode ampliar o alcance das terapias baseadas em hormônios intestinais, tornando-as mais convenientes e menos invasivas, mas sem substituir a importância de hábitos saudáveis e orientação profissional.





















