Ela não dói, muitas vezes não dá sinais e, quando é descoberta, já pode ter causado danos sérios ao coração, rins, olhos e circulação. O diabetes mellitus, doença crônica que atinge cerca de 16 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde, continua sendo subestimado por grande parte da população.
De acordo com a médica clínica geral DianaSerra, responsável técnica da Vitalmed, em Salvador, a maioria dos atendimentos de emergência relacionados à doença ocorre em pacientes que descobriram o diagnóstico tardiamente ou que abandonaram o tratamento.
“O que começa com uma glicemia alta pode evoluir para cegueira, amputações ou até infarto”, alerta.
Nos estágios iniciais, o diabetes pode passar despercebido. No entanto, sintomas como sede excessiva, urina em excesso, fome constante, cansaço sem explicação, perda de peso repentina, visão embaçada, feridas que demoram a cicatrizar e formigamento nos pés e mãos devem acender o sinal de alerta.
“Muitas pessoas acreditam que estão apenas cansadas ou se alimentando mal, mas esses são os primeiros avisos do corpo. Quem tem histórico familiar precisa redobrar a atenção”, explica a médica.
Casos de hipoglicemia (queda brusca da glicose) ou hiperglicemia (aumento grave) podem levar à confusão mental, tontura, desmaios e até convulsões. Nessas situações, o atendimento rápido é fundamental.
“Já atendemos pacientes inconscientes, com glicemia altíssima. A família achava que era apenas cansaço. O tempo de resposta faz a diferença entre vida e morte, ou entre sequelas graves e recuperação completa”, relata Dra. Diana.
Prevenção – Segundo a especialista, adotar hábitos saudáveis é essencial para prevenir e controlar o diabetes. Entre as principais recomendações estão: monitorar a glicemia regularmente; manter alimentação equilibrada, reduzindo açúcares e ultraprocessados; praticar atividade física; realizar exames periódicos; procurar ajuda médica diante de sinais suspeitos.
A médica ressalta ainda o papel da família no controle da doença. “Quando a rotina é compartilhada, com refeições mais saudáveis, caminhadas e apoio no acompanhamento da glicemia, o paciente se sente mais motivado e disciplinado”, diz.
Apesar de não ter cura, o diabetes pode ser controlado. “Ter diabetes hoje não é mais uma tragédia. Ignorar o diagnóstico ou deixar de se cuidar, sim”, conclui a médica Diana Serra.