O Brasil deu mais um passo no enfrentamento ao HIV com a chegada ao mercado privado da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de longa duração. O medicamento Cabotegravir, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, agora está disponível em clínicas e farmácias privadas do país.
Diferente da PrEP oral, que exige uso diário, a nova versão é aplicada a cada dois meses, o que pode aumentar a adesão ao tratamento e a eficácia preventiva. Estudos clínicos internacionais, como o HPTN 083, apontaram que o cabotegravir injetável reduziu em até 79% o risco de infecção pelo HIV em comparação ao uso oral de tenofovir/emtricitabina.
Para o médico infectologista Klinger Soares Faíco Filho, CEO do InfectoCast e professor da Unifesp, o avanço é significativo. “O cabotegravir injetável representa uma das maiores revoluções da última década no enfrentamento ao HIV. Além de garantir maior proteção, ele responde a um desafio histórico: a dificuldade de adesão ao uso contínuo da PrEP oral. Isso pode ampliar o alcance da prevenção, sobretudo entre populações mais vulneráveis”, afirma.
Segundo estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 960 mil pessoas vivem com HIV no Brasil, e aproximadamente 51 mil novos casos são diagnosticados todos os anos. Nesse contexto, a ampliação das estratégias preventivas é considerada essencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) para alcançar a meta global de acabar com a epidemia de AIDS até 2030.

























