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Amamentar exige mais do que instinto (um relato que desafia mitos e propõe soluções)

por Saude em Noticia
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Você pode pensar que, por ser enfermeira, eu estaria pronta para encarar os desafios da amamentação. Afinal, são anos promovendo a importância do aleitamento e formando profissionais da saúde. Mas a maternidade me mostrou outra realidade. Há alguns anos, o Agosto Dourado ganhou um novo significado para mim e posso afirmar, com toda certeza, que nem o conhecimento técnico me poupou das dores, dúvidas e culpa.

Na primeira amamentação, chorei de dor. Na segunda, chorei ao ver sangue na boca do meu filho.
E me perguntei: como algo tão natural pode ser tão difícil? A verdade é que amamentar não é instintivo como muitos acreditam. É um processo que exige preparo, informação, manejo correto e, acima de tudo, apoio físico e emocional. Vivenciar isso na pele me fez olhar de forma ainda mais crítica para a formação dos nossos profissionais de saúde. Será que estamos realmente prontos para acolher as mães?

Segundo a OMS, aumentar as taxas de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses pode evitar mais de 823 mil mortes infantis por ano. O número impressiona, mas esbarra em uma pergunta prática: quem garante isso na ponta? Quem orienta a pega correta, identifica fissuras e mastites precocemente e acolhe sem julgamento?

A resposta está na formação. Se queremos mudar essa realidade, precisamos de enfermeiros e profissionais preparados para atuar na linha de frente do aleitamento materno. Com conhecimento técnico, sim — mas também com escuta ativa, empatia e sensibilidade.

É preciso romper com a ideia de que o leite “desce” e tudo flui naturalmente. Nem sempre flui. E tudo bem. O que não pode faltar é rede de apoio e profissionais prontos para acolher, orientar e intervir quando necessário. Cada consulta é uma oportunidade de escuta. Cada conversa, uma chance de empoderar uma mãe. Amamentar não é solitário por definição. Mas pode se tornar, se o cuidado falhar.

Amamentar não é só nutrir. É um ato de força, que envolve corpo, mente, sociedade e política pública. E cada profissional da saúde pode — e deve  ser agente de transformação. Se queremos reduzir o desmame precoce, precisamos começar pela base e formar melhor, acolher mais e julgar menos.

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