Durante o Julho Verde, campanha de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, especialistas alertam para um desafio que pode comprometer o sucesso do tratamento: as complicações que surgem ao longo da terapia. Hemorragias, infecções e alterações vasculares podem interromper a quimioterapia, a radioterapia ou até inviabilizar cirurgias, exigindo intervenções rápidas.
A radiologia intervencionista tem se consolidado como uma importante aliada nesses casos. Por meio de procedimentos minimamente invasivos guiados por exames de imagem, a especialidade atua desde o diagnóstico, com biópsias de lesões profundas, até o tratamento de complicações, como controle de sangramentos, drenagem de infecções e implantação de acessos venosos para quimioterapia.
“A radiologia intervencionista integra o tratamento do câncer e pode atuar em praticamente todas as etapas da jornada do paciente. Além das biópsias guiadas por imagem, conseguimos controlar hemorragias, tratar complicações vasculares, drenar infecções e oferecer alternativas minimamente invasivas que permitem ao paciente manter o tratamento com mais segurança”, afirma Guilherme Martins, diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice).
Entre as principais estratégias está a embolização, indicada para controlar hemorragias provocadas pelo tumor, pelos efeitos da radioterapia ou por complicações cirúrgicas. O procedimento é realizado por um pequeno acesso vascular, sem necessidade de grandes incisões, o que reduz o tempo de recuperação e o risco de complicações. Estudos apontam taxas de sucesso superiores a 90% no controle desses sangramentos.
Além disso, a especialidade também realiza drenagem de abscessos, embolizações pré-operatórias e, em casos selecionados, técnicas ablativas para tratamento de metástases, ampliando as opções terapêuticas e contribuindo para que o paciente mantenha o tratamento, com impacto direto na qualidade de vida e no prognóstico.























