Hipertensão e colesterol alto herdados podem evoluir sem sintomas antes de provocar danos às artérias. Especialista explica como o rastreamento precoce evita tragédias.
Ter um histórico familiar de doenças cardiovasculares é um dos marcadores de risco mais importantes para a saúde do coração, mas esse fator frequentemente passa despercebido durante a juventude. Quando um parente de primeiro grau, como pai, mãe ou irmãos, sofre um infarto agudo do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC) em idade precoce (antes dos 55 anos para homens e dos 65 anos para mulheres), o alerta genético para os demais membros da família deve ser ligado imediatamente.
De acordo com o Dr. Ricardo Ferreira Silva, cardiologista do Centro Cardiológico, a genética desempenha um papel decisivo na predisposição a problemas vasculares. “A herança genética pode influenciar desde a forma como o organismo metaboliza o colesterol até a tendência ao desenvolvimento de hipertensão arterial e à formação de placas de gordura nas artérias”, explica o médico. O especialista ressalta que, nesses casos, esperar os 40 ou 50 anos para realizar o primeiro check-up cardiológico é um erro que pode custar caro.
O grande vilão por trás do histórico familiar é o caráter silencioso das doenças cardiovasculares. Condições hereditárias graves, como a Hipercolesterolemia Familiar (HF), que provoca níveis extremamente elevados de colesterol LDL desde a infância, não apresentam sintomas visíveis até que uma grande artéria esteja significativamente obstruída. “A pessoa pode se sentir disposta, praticar esportes e parecer completamente saudável, enquanto as placas de gordura se acumulam silenciosamente nas artérias coronárias”, adverte o cardiologista.
Para esse perfil de paciente, o rastreamento deve ser personalizado e antecipado. O Dr. Ricardo orienta que exames de sangue para perfil lipídico e dosagem de glicose sejam iniciados ainda na juventude, associados a exames de imagem e testes funcionais de acordo com a avaliação clínica. Além disso, marcadores específicos, como a dosagem de Lipoproteína(a), uma partícula de colesterol fortemente determinada pela genética, ajudam a estratificar o risco com muito mais precisão.
Embora não seja possível alterar o mapa genético, o médico pontua que a herança familiar não é um destino inevitável. “O DNA representa a nossa predisposição, mas o estilo de vida funciona como o gatilho. Quando identificamos o risco precocemente, conseguimos atuar de forma rigorosa no controle da pressão, na alimentação, no combate ao sedentarismo e, se necessário, com intervenções medicamentosas antes que qualquer evento grave aconteça”, conclui o especialista.
























