Especialista destaca a importância de hábitos saudáveis, saúde emocional e acompanhamento individualizado para manter os resultados a longo prazo
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras ampliou o debate sobre a perda de peso, mas o tratamento da obesidade vai além da medicação. Para Felipe Porto, da Clínica Bendita Forma, mudanças na relação com a alimentação, no gerenciamento do estresse e na prática do autocuidado são fundamentais para a manutenção dos resultados.
Segundo o médico, o acompanhamento de pacientes, especialmente mulheres, também envolve a construção de uma nova percepção sobre o cuidado pessoal, que não deve ser associado à privação ou à punição. A proposta é estimular escolhas conscientes e hábitos que possam ser incorporados à rotina de forma sustentável.
“Não adianta olhar somente para o que a pessoa come e ignorar como ela está vivendo. Precisamos entender esse contexto e não simplesmente entregar uma lista do que ela pode ou não pode fazer”, explica.
Qualidade do sono, atividade física e organização da rotina também fazem parte desse processo. O especialista observa que muitas mulheres priorizam o trabalho e as responsabilidades familiares, deixando a própria saúde em segundo plano.
Nesse contexto, os medicamentos podem ser ferramentas importantes no tratamento, desde que utilizados com indicação e acompanhamento médico. Para Porto, porém, eles não substituem a construção de hábitos saudáveis nem transformam, isoladamente, a relação do paciente com a alimentação e o próprio corpo.
“A caneta pode ser uma ferramenta importante dentro de uma estratégia médica, quando existe indicação. Mas ela não ensina alguém a se priorizar, não organiza a rotina e não muda sozinha a relação que essa pessoa construiu durante anos com a alimentação”, afirma.
O objetivo, segundo o médico, é que o autocuidado deixe de ser uma medida temporária para emagrecer e passe a integrar o cotidiano. A proposta também envolve evitar a culpa alimentar e desenvolver autonomia para fazer escolhas equilibradas, sem transformar a busca por saúde em sofrimento.
Para o especialista, a manutenção dos resultados depende de uma abordagem que considere o paciente de forma integral, levando em conta não apenas o peso, mas também os hábitos e a qualidade de vida.























