Um novo estudo apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o vírus Ebola pode ter circulado por cerca de seis semanas antes da identificação oficial do atual surto registrado na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, aumentando as preocupações sobre a capacidade de contenção da doença na região.
De acordo com projeções epidemiológicas apresentadas por pesquisadores e autoridades de saúde, há cerca de 70% de probabilidade de o surto atingir o Sudão do Sul, país considerado especialmente vulnerável devido à intensa circulação de pessoas nas áreas de fronteira, às rotas comerciais e à fragilidade dos sistemas locais de vigilância sanitária.
As simulações indicam ainda que, caso medidas adicionais de controle não sejam implementadas, o número de casos poderá aumentar significativamente nos próximos meses, passando de aproximadamente mil para até 8 mil casos entre junho e setembro. O cenário preocupa autoridades internacionais, sobretudo diante das dificuldades de rastreamento de contatos, da escassez de testes diagnósticos e da elevada mobilidade populacional na região afetada.
O atual surto é causado pelo vírus Ebola da variante Bundibugyo, uma cepa menos frequente para a qual ainda não existe vacina aprovada. A taxa de letalidade associada a essa variante pode variar entre 25% e 40%, segundo especialistas.
A OMS classificou o risco regional da epidemia como “muito alto” e reforçou o alerta para países vizinhos, especialmente aqueles que compartilham fronteiras terrestres e rotas comerciais com as áreas afetadas. O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) identificou ao menos dez países africanos sob elevado risco de registrar casos importados.
Especialistas destacam que a detecção precoce, o rastreamento de contatos, o isolamento de casos suspeitos e o fortalecimento dos sistemas de saúde são fundamentais para evitar que o atual surto se transforme em uma crise sanitária de maiores proporções, semelhante às epidemias registradas em décadas anteriores no continente africano.




















