Especialistas do Hospital CEMA explicam como distinguir os sintomas e apontam o momento exato de procurar o hospital
Com as mudanças bruscas de temperatura, em momentos de alta e outros de frio extremo, os hospitais e prontos-socorros registram um aumento de até 40% no volume de atendimentos gerais voltados a problemas respiratórios e da garganta — índice que costuma dobrar quando analisado o público infantil. No entanto, a pressa em buscar diagnóstico e o hábito da automedicação diante do primeiro sinal de desconforto têm gerado uma grande confusão clínica: quadros de refluxo laringofaríngeo, laringite e amigdalite estão sendo frequentemente mascarados ou confundidos com resfriados comuns.
O Hospital CEMA, referência em otorrinolaringologia e oftalmologia no Brasil, com 50 anos de atuação, alerta para a importância de saber como identificar as diferenças cruciais entre essas patologias, garantindo que a busca pelo atendimento hospitalar ocorra no momento correto e de forma assertiva. “O pano de fundo inicial dessas condições é muito parecido, envolvendo dor de garganta, pigarro, tosse e dificuldade de engolir. Porém, as causas e os tratamentos são completamente distintos. Ir ao hospital sem necessidade expõe o paciente a outros vírus circulantes, enquanto adiar o atendimento em casos graves pode trazer complicações severas”, esclarece Dr. Marcelo Mello, chefe do Pronto Socorro de Otorrinolaringologia do Hospital CEMA.
O resfriado comum, caracterizado por coriza, espirros e febre baixa, costuma passar espontaneamente entre 3 e 7 dias. Contudo, se os sintomas persistirem ou apresentarem características específicas, o foco muda de figura:
- Refluxo Laringofaríngeo: o ar frio e as mudanças alimentares do período podem intensificar o refluxo. O ácido estomacal sobe até a laringe, gerando uma inflamação que imita um resfriado crônico. O sinal clássico é a tosse seca contínua (que piora ao deitar), pigarro persistente e a sensação de um “caroço” na garganta, sem qualquer sintoma de gripe;
- Amigdalite: trata-se de uma infecção bacteriana ou viral nas amígdalas. A dor para engolir é aguda e severa, geralmente acompanhada de febre alta e placas de pus visíveis na garganta. Exige diagnóstico rápido para evitar complicações reumatológicas ou renais e,
- Laringite: afeta diretamente as cordas vocais, provocando rouquidão intensa ou perda total da voz. Pode surgir após o esforço vocal ou como desdobramento de uma virose, necessitando de repouso e tratamento direcionado.
Quando é o momento certo de procurar o pronto atendimento?
Para orientar a população e garantir o uso consciente dos serviços de saúde neste período de alta demanda, a equipe médica do Hospital CEMA estabelece critérios claros de triagem:
Sintomas leves de resfriado (coriza, leve dor de garganta) devem ser tratados com hidratação reforçada, repouso e lavagem nasal. A evolução deve ser monitorada em casa, por até 3 ou 5 dias. A busca pelo pronto atendimento é indispensável caso o paciente apresente febre alta persistente que não cede com antitérmicos, dificuldade severa para respirar ou engolir a própria saliva, presença de pontos de pus na garganta ou rouquidão que ultrapasse o período de duas semanas. “A precisão do diagnóstico, muitas vezes realizada no consultório com o auxílio de exames como a videolaringoscopia, é o que assegura o tratamento eficaz. O uso indiscriminado de antibióticos e anti-inflamatórios por conta própria para o que se julga ser ‘apenas um resfriado’ é um risco severo à saúde”, finaliza o especialista.
























