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Startup usa IA para interpretar 20 mil hemogramas em busca de doenças graves no sertão pernambucano

por Saude em Noticia
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Em resposta à escassez de hematologistas no Brasil e aos desafios para a detecção precoce de doenças do sangue, a startup pernambucana HemoDoctor lançou uma tecnologia inédita baseada em inteligência artificial (IA) que permite encurtar drasticamente a jornada diagnóstica dos pacientes, sobretudo no Sistema Único de Saúde (SUS).

A plataforma, desenvolvida por médicos e especialistas em saúde digital, analisa automaticamente o hemograma, levanta hipóteses diagnósticas e sugere exames complementares, Dessa forma, auxilia na triagem de doenças graves, como leucemias, mielodisplasias e mieloma múltiplo. Com isso, evita-se a perda de tempo em condutas equivocadas e aumenta-se a chance de sobrevida e cura dos pacientes.

“Em um país com pouco mais de 3 mil hematologistas e distribuição geográfica desigual, a IA da HemoDoctor é um forte suporte que permite diagnósticos assertivos mesmo em regiões sem especialistas”, frisa Carlos Rolemberg, executivo do mercado de onco-hematologia, um dos quatro sócios da HemoDoctor, ao lado de Raphael Saraiva, especialista em saúde digital, e dos onco-hematologistas Lucyo Diniz e Abel Costa.

Em prova de conceito realizada no Hospital da Unimed em Petrolina (PE), a ferramenta processou e classificou mais de 4 mil hemogramas. Destes, selecionou uma amostra de 604 exames para comparação dos resultados com a opinião de hematologistas. Houve um baixo índice de discordância entre os especialistas e o novo software, que representou apenas 1,32% do total. Agora, está em andamento a segunda etapa de validação tecnológica, com a verificação da acurácia do algoritmo da Hemodoctor em larga escala. Até novembro, a startup executará a leitura de 20 mil exames.

Os casos de doenças hematológicas identificados pelo programa serão acompanhados até o desfecho, para medir o impacto na jornada diagnóstica e qualidade de vida do paciente, bem como os ganhos para o sistema de saúde.
Os dados do hemograma costumam ser avaliados, inicialmente, por clínicos gerais, médicos generalistas ou com outras especialidades que não a hematologia. “É um outro olhar: esses profissionais se concentram nas alterações mais comuns ou direcionadas à própria especialidade. Quando é identificada uma anemia, por exemplo, a conduta mais comum é a prescrição de ferro, sem investigação aprofundada sobre a origem daquele achado”, explica Dr. Lucyo Diniz. “A anemia pode ser um indício de doenças mieloproliferativas, mieloma múltiplo, mielodisplasias e leucemias. Nesses casos, a suplementação de ferro não é efetiva e os sintomas continuam ou mesmo pioram.

Isso pode até mascarar a doença por um tempo, retardando o diagnóstico, o que é perigoso. Nesse meio tempo, tumores podem se agravar e acometer outros órgãos”, completa o onco-hematologista.
O foco da HemoDoctor são os serviços de saúde com grande fluxo de pacientes. A triagem proporcionada pela tecnologia otimiza o atendimento, empoderando as equipes de saúde da atenção primária, pois permite a priorização dos casos críticos e diminui encaminhamentos desnecessários para a atenção especializada. Essa dinâmica agiliza as filas e amplia o acesso à atenção básica. Tais benefícios também refletem nos custos, pois o diagnóstico precoce diminui a complexidade dos tratamentos, minimizando internações e evitando cirurgias e procedimentos mais onerosos ou complexos como, por exemplo, transfusões de sangue. Há melhor aproveitamento do orçamento público e, para as operadoras de saúde, a padronização de protocolos de atendimento, com uso eficiente de recursos humanos e financeiros.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, apenas em 2022, foram destinados R$ 4 bilhões ao tratamento oncológico no SUS, sendo a leucemia uma das principais causas de internação e procedimentos de alta complexidade. Pacientes com Leucemia Linfoide Aguda e Leucemia Mieloide Aguda frequentemente necessitam de internações prolongadas, em média de 25 dias, para ciclos intensivos de quimioterapia e suporte clínico. O custo apenas das diárias em hospitais varia entre R$62,5 mil e R$100 mil por internação. “Ao somarmos os valores demandados para suporte clínico, terapias-alvo e transplante, um paciente pode gerar gastos de até R$1 milhão, sem considerar custos indiretos como perda de produtividade, deslocamentos e impacto emocional familiar”, diz Raphael Saraiva. “Estimamos que a antecipação do diagnóstico possa gerar uma economia de até R$300 milhões por ano para o SUS”, completa.

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