O zumbido afeta 14,4% dos adultos no mundo, o que equivale a mais de 740 milhões de pessoas, segundo estudo publicado na JAMA Neurology (Jarach et al., 2022). Cerca de 120 milhões consideram o sintoma um problema grave. Na capital paulista, o índice é ainda maior: pesquisa publicada no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology (2015), com 1.960 entrevistas, encontrou prevalência de 22%, e o zumbido interferia nas atividades diárias de 18% dos entrevistados.
Em uma metrópole como São Paulo, a exposição ao ruído urbano, altos níveis de estresse, alterações auditivas, metabólicas são fatores que merecem atenção, já que são considerados como um risco para a audição.
“A exposição a níveis elevados de pressão sonora por tempo prolongado pode levar a lesão permanente das células do ouvido interno, a perda auditiva, que é a principal causa do zumbido”, explica Dra. Tatiana Lima, otorrinolaringologista especialista em Otoneurologia e responsável pelo Centro de Zumbido do Hospital CEMA, referência em oftalmologia e otorrinolaringologia, há 50 anos com atuação no Brasil.
Para quem convive com o sintoma, a resposta mais comum sempre foi: “Você vai ter que aprender a conviver com isso”. Hoje há tratamentos baseados em evidências científicas que ajudam a reduzir o incômodo e devolvem qualidade de vida aos pacientes.
A mudança parte de uma nova compreensão: o zumbido não nasce apenas no ouvido, mas no cérebro. “Quando existe uma perda auditiva, mesmo que ‘pequena’, o cérebro entra em um modo de compensação, tornando-se hiperexcitável na tentativa de captar estímulos. Esse ganho artificial nos circuitos gera a percepção de um ruído constante”, complementa a especialista.
Pense no cérebro como um maestro que, ao perceber que alguns instrumentos estão tocando baixo, passa a exigir mais volume de toda a orquestra. O resultado é um ruído que ninguém pediu. O tratamento moderno busca “reeducar” esse maestro para que reduza a compensação e volte ao equilíbrio.
O que há de novo no tratamento
Diferentemente de abordagens antigas, que apenas cobriam o zumbido com sons brancos, o Centro de Zumbido do CEMA trabalha na origem do problema, com estratégias como:
- Neuromodulação: estímulos que regulam a atividade das redes neurais e ajudam a acalmar as áreas auditivas sobrecarregadas
- Terapias bimodais: combinam estímulos sonoros com estímulos sensoriais em outras partes do corpo, ajudando o cérebro a reorganizar o processamento do som
- Reabilitação personalizada: aparelhos auditivos de tecnologia avançada devolvem ao cérebro o estímulo sonoro de que ele precisa, reduzindo a compensação interna.
Cuidado com as “curas milagrosas”
Nas redes sociais, é cada vez mais comum encontrar promessas de solução rápida para o zumbido. A Dra. Tatiana alerta que não existe pílula mágica. “O tratamento do zumbido exige um plano de ação sério, que investiga comorbidades como doenças metabólicas e cardiovasculares”, afirma.
Quando procurar ajuda
Quem perceber zumbido persistente deve buscar avaliação com um especialista em Otoneurologia. Com diagnóstico correto e acompanhamento adequado, o zumbido deixa de ser protagonista e a rotina volta a ter mais leveza e bem-estar.























