O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre mulheres em todo o mundo. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar mais de 78 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028. A doença é multifatorial e é resultado da combinação de diversos elementos como genética, hormônios, histórico reprodutivo, estilo de vida e obesidade.
Considerada uma epidemia mundial, a obesidade vem avançando em todo o mundo e acendendo um alerta para suas consequências. No Brasil, o cenário também preocupa: entre 2006 e 2024, a proporção de adultos com excesso de peso aumentou em 20%, passando de 42,6% para 62,6%, enquanto a prevalência de obesidade quase dobrou, saltando de 11,8% para 25,7%, segundo dados do Ministério da Saúde.
Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade é uma doença crônica associada a diversos problemas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. O excesso de peso compromete a qualidade de vida trazendo também problemas ortopédicos, dificuldades respiratórias e aumento o risco do desenvolvimento de alguns tipos de câncer, incluindo o de mama.
Diante desse cenário, entender a relação entre obesidade e câncer de mama é fundamental para cuidar da saúde e fazer escolhas mais conscientes. Confira quatro pontos importantes que toda mulher precisa conhecer:
1. A obesidade pode aumentar o risco de câncer de mama, especialmente após a menopausa
“É importante destacar que a obesidade não significa que a mulher necessariamente desenvolverá câncer. Ela representa um fator de risco modificável, entre vários outros que influenciam o aparecimento da doença. Mas, o controle do peso e da gordura corporal é uma estratégia importante para a saúde da mulher, sobretudo, após a menopausa”, afirma a endocrinologista do Hospital da Bahia, Mariana Lopes, que é administrado pela Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil.
2. Canetas emagrecedoras não previnem câncer de mama
No que diz respeito a prevenção do câncer de mama, estudos observacionais levantam a hipótese de uma menor ocorrência de alguns tumores associados à obesidade entre usuários dessas terapêuticas. Há pesquisas também que investigam possíveis efeitos sobre a evolução e a recorrência do câncer de mama.
No entanto, a oncologista da clínica AMO, em Salvador, Marília Sampaio, alerta que eles não devem ser considerados tratamentos para a doença e nem utilizados com a promessa de prevenir o câncer. “Os resultados são promissores, mas ainda não permitem afirmar que previnam o câncer de mama. Ainda não há evidência suficiente para prescrevê-los com a finalidade específica de prevenir a doença ou reduzir sua recidiva”, destaca.
3. O cuidado com o peso corporal também importa depois do diagnóstico
“Para quem já recebeu o diagnóstico de câncer de mama, manter-se fisicamente ativa durante e após o tratamento está associado a melhores desfechos. Estudos associam a prática regular de atividade física após o diagnóstico a um menor risco de morte por câncer de mama e por outras causas. A recomendação é realizar de 150 a 300 minutos semanais de exercícios moderados ou de 75 a 150 minutos semanais de exercícios vigorosos, conforme as condições de cada paciente. O exercício também ajuda a preservar a massa e a força muscular, reduzir o cansaço e a ansiedade e aliviar dores articulares relacionadas à hormonioterapia, contribuindo para mais disposição, autonomia e qualidade de vida.”, reforça a oncologista da AMO.
No entanto, os especialistas reforçam que isso não significa que o peso seja a causa única do tumor ou que a mulher deva carregar a responsabilidade pelo diagnóstico. O câncer é multifatorial e resulta da interação entre genética, idade, fatores hormonais e estilo de vida.
4. Controle de peso não substitui acompanhamento médico
Nesse contexto, o Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir da relação entre o peso e a altura, é uma ferramenta utilizada para avaliar o estado nutricional. Embora possa contribuir para a identificação de possíveis riscos à saúde, o IMC não deve ser considerado um indicador isolado de saúde, pois não diferencia massa muscular de gordura corporal nem avalia a distribuição da gordura no organismo. Por isso, estar dentro da faixa de peso considerada adequada não significa, necessariamente, ter uma boa saúde, assim como o peso corporal, isoladamente, não determina as condições de saúde de uma pessoa.
Quando se trata do câncer de mama, mulheres sem sobrepeso ou obesidade também podem desenvolver a doença, que possui causas multifatoriais. Assim, hábitos como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física devem atuar de forma complementar às medidas de prevenção, ao rastreamento e ao diagnóstico precoce.
A mastologista da Oncocentro, em Natal, Raíssa Melo, alerta que a mulher não deve focar isoladamente na balança, mas adotar uma visão integral do cuidado com a saúde. “Manter bons hábitos é fundamental, mas estar atenta ao próprio corpo, reconhecer qualquer sinal de mudança e realizar a mamografia a partir dos 40 anos são passos que também não podem ser negligenciados. O estilo de vida saudável é um grande aliado, mas não anula a necessidade do diagnóstico precoce e da consulta médica regular.”, conclui.