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Hospital de Brotas passa a integrar rede de doação de órgãos na Bahia

por Saude em Noticia
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Unidade recebeu habilitação para atuar no processo de identificação de potenciais doadores e acolhimento das famílias.

O Hospital de Brotas, em Salvador, recebeu habilitação para atuar no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes. A unidade passou a contar com uma equipe e-DOT (Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes), formada por profissionais de diferentes áreas e responsável por organizar e acompanhar os procedimentos relacionados à doação de pacientes com diagnóstico de morte encefálica.

Com a habilitação, o hospital amplia sua participação na rede de doação de órgãos da Bahia e passa a oferecer o serviço aos beneficiários do Planserv, sistema de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais. A unidade é gerida pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) e atende exclusivamente usuários do plano.

A habilitação ocorreu em setembro, após um processo acompanhado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (COSET). O procedimento incluiu a análise da documentação apresentada pelo hospital e a capacitação dos profissionais que atuarão na equipe, conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes.

O coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Brotas, Leonardo Azevedo, que integra a equipe e-DOT, destaca a importância da iniciativa para ampliar a cultura da doação de órgãos.

“Para mim, é uma imensa satisfação fazer parte da equipe de doação de órgãos e tecidos do hospital. Acredito que o transplante envolve um ato de generosidade e é fundamental que a gente incorpore, na cultura do nosso hospital, essa prática, para que ela se torne cada vez mais difundida no nosso Estado”, afirma.

Equipe atua na identificação de potenciais doadores

A equipe e-DOT é responsável por acompanhar diferentes etapas do processo de doação, desde a identificação de potenciais doadores até a articulação com as centrais de transplantes. Também participa do acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica e do acolhimento e orientação dos familiares.

No Hospital de Brotas, o grupo é formado por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. A atuação integrada busca garantir segurança nos procedimentos e oferecer suporte às famílias durante o processo.

A enfermeira Gilca Cirne, integrante da equipe, explica que a enfermagem participa de diversas etapas, como a identificação de potenciais doadores, a comunicação com os órgãos responsáveis pela regulação de transplantes e o acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica.

O trabalho também envolve o acolhimento dos familiares e a prestação de informações sobre os procedimentos necessários à doação. Segundo Gilca, o atendimento deve considerar o momento de sofrimento vivido pelas famílias.

“O apoio emocional precisa respeitar o sofrimento do momento, as crenças, os valores e o tempo de cada família”, afirma.

Além de orientar os familiares e colaborar na entrevista para solicitar a autorização da doação, a equipe participa dos cuidados clínicos necessários à manutenção do potencial doador, contribuindo para preservar os órgãos e tecidos.

Brasil registra recorde de transplantes

O Brasil realizou 31.745 transplantes de órgãos, córneas e tecidos em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. O resultado representa um recorde histórico. No mesmo período, foram registrados 4.335 doadores efetivos, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Entre os órgãos sólidos, o rim liderou o número de procedimentos, com 6.697 transplantes.

Apesar do avanço, a recusa familiar permanece como um dos principais obstáculos à ampliação das doações. Dados da ABTO apontam que, em 2025, 45% das entrevistas realizadas com familiares de potenciais doadores terminaram com a negativa à doação.

Para a enfermeira Carolina Sodré, da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes da Sesab, a habilitação de novas equipes hospitalares é importante para ampliar as oportunidades de doação.

“Podemos assegurar que o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo. É um programa ético, seguro e transparente, que realiza transplantes de coração, fígado, rim, medula, córnea, ossos e pele. Porém, para que haja transplante, precisa haver doação. Por isso, as unidades hospitalares devem estar habilitadas para oferecer às famílias a oportunidade de doar e salvar vidas”, afirma.

Autorização familiar é necessária para a doação

No Brasil, a doação de órgãos e tecidos depende da autorização dos familiares, mesmo quando a pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora. Por isso, conversar com a família e comunicar essa vontade é fundamental.

Uma das formas de registrar a intenção é por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), documento disponibilizado gratuitamente pelo Colégio Notarial do Brasil, em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes. O registro pode ser feito pelo site da AEDO ou pelo sistema e-Notariado, mediante identificação e assinatura digital.

A autorização eletrônica formaliza a manifestação de vontade, mas não substitui o consentimento familiar exigido pela legislação brasileira.

A possibilidade de doação também depende de avaliação médica, que considera o histórico clínico do paciente, as condições dos órgãos e tecidos e eventuais contraindicações. Em condições adequadas, um único doador com diagnóstico de morte encefálica pode salvar ou contribuir para salvar até oito vidas.

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