Com mais pessoas vivendo por décadas em tratamento, atualização do Ministério da Saúde amplia opções para perfis com maior necessidade de individualização da terapia antirretroviral
Os avanços no diagnóstico e no tratamento mudaram a trajetória do HIV no Brasil. Se antes o principal desafio era ampliar o acesso à terapia antirretroviral e reduzir a mortalidade, hoje uma nova discussão ganha espaço: como garantir um cuidado contínuo, individualizado e sustentável para pessoas que vivem por décadas com HIV.
Essa mudança de cenário também aparece nos dados mais recentes do Ministério da Saúde. Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 20251 entre 1980 e setembro de 2025, foram registradas 1.679.622 pessoas com HIV ou aids no Brasil. O número mostra a dimensão da epidemia e reforça a importância de um cuidado em HIV pensado para acompanhar as pessoas ao longo de toda a vida.
O perfil das pessoas impactadas também vem mudando. Segundo o Boletim, houve crescimento da participação de pessoas com 50 anos ou mais entre os novos casos de HIV: entre as mulheres, essa proporção passou de 10,9% em 2014 para 17,0% em 2024; entre os homens, de 7,6% para 9,0% no mesmo período. O próprio documento associa esse movimento ao envelhecimento da epidemia e à necessidade de ações específicas para essa população, incluindo diagnóstico oportuno e enfrentamento ao estigma em faixas etárias mais avançadas.
Na prática, viver mais tempo com HIV exige que o cuidado vá além da manutenção da supressão viral. Pessoas que envelhecem em tratamento podem conviver com outras condições de saúde, usar múltiplos medicamentos e apresentar necessidades relacionadas à tolerabilidade, interações medicamentosas, adesão, função renal e óssea e toxicidade acumulada ao longo da vida.
É nesse contexto que a Nota Técnica nº 104/2026-CGHA/.DATHI/SVSA/MS, do Ministério da Saúde, estabelece critérios de uso do BIC/FTC/TAF no Sistema Único de Saúde, SUS, para o tratamento de pessoas vivendo com HIV ou aids. O documento destaca que o envelhecimento dessa população está associado à maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, como doença renal, osteopenia e osteoporose, além de condições relacionadas ao uso prolongado da terapia antirretroviral.
“O cuidado em HIV mudou muito nas últimas décadas. Hoje, muitas pessoas vivem por anos ou décadas em tratamento, o que torna cada vez mais importante olhar para a jornada como um todo. Além do controle virológico, é preciso considerar envelhecimento, comorbidades, interações medicamentosas, adesão e a rotina de cada pessoa. A ampliação das opções terapêuticas no SUS contribui para que médicos e equipes de saúde possam avaliar o tratamento de forma mais individualizada”, afirma Dr. Gabriel Antunes, gerente médico da Gilead Sciences Brasil.
























