Massoterapeuta Reynier Rodriguez explica como o estresse crônico pode se manifestar fisicamente e alerta para a importância de reconhecer os sinais antes que eles comprometam a qualidade de vida
A rotina acelerada, a pressão constante no trabalho e o excesso de estímulos têm tornado o estresse e a ansiedade cada vez mais presentes no cotidiano. Embora os impactos emocionais sejam amplamente conhecidos, o corpo também pode manifestar sinais de sobrecarga, muitas vezes antes mesmo de a pessoa perceber que está enfrentando um período de intenso desgaste.
Dores na região cervical, rigidez nos ombros, tensão na mandíbula, desconforto na lombar e dores de cabeça frequentes podem estar associados ao estresse e à tensão muscular. Em alguns casos, esses sintomas acabam sendo tratados isoladamente, sem que sejam consideradas as possíveis relações com a rotina e o estado emocional.
Para o massoterapeuta cubano Reynier Rodriguez, o corpo pode funcionar como um importante indicador do estado emocional. “É muito comum receber pessoas que procuram atendimento por causa de dores musculares e, durante a conversa, descobrimos que elas estão vivendo períodos intensos de ansiedade, excesso de trabalho ou preocupações constantes. O corpo registra esse acúmulo de tensão antes mesmo de a pessoa perceber o quanto está sobrecarregada emocionalmente”, explica.
Segundo Reynier, quando o organismo permanece em estado de alerta por períodos prolongados, a musculatura pode permanecer contraída continuamente, favorecendo o surgimento de dores persistentes e limitações nos movimentos.
“O estresse prepara o corpo para reagir a situações de perigo, mas quando esse mecanismo permanece ativado por semanas ou meses, os músculos deixam de relaxar completamente. É nesse momento que surgem desconfortos que acabam fazendo parte da rotina de muitas pessoas”, afirma.
O massoterapeuta ressalta que identificar esses sinais precocemente pode ajudar a evitar que tensões recorrentes se tornem problemas persistentes. “Muitas pessoas acreditam que sentir dor no pescoço, nos ombros ou na lombar é algo normal por causa da rotina. Não é. A dor é uma forma de comunicação do organismo e merece atenção. Quanto antes ela é investigada, maiores são as chances de evitar que o problema se torne crônico”, destaca.
Além do acompanhamento médico e psicológico, quando indicado, práticas voltadas ao relaxamento muscular podem contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida. De acordo com Reynier, a massoterapia não substitui o tratamento da ansiedade, mas pode atuar como recurso complementar.
“A massoterapia não trata a ansiedade, mas pode auxiliar na redução das tensões musculares provocadas pelo estresse, favorecer o relaxamento, melhorar a percepção corporal e complementar outras estratégias de cuidado. O mais importante é entender que saúde mental e saúde física caminham juntas”, explica.
Para o massoterapeuta, prestar atenção aos sinais físicos é uma forma de ampliar os cuidados com a saúde. “O corpo sempre encontra uma forma de mostrar quando algo não vai bem. Aprender a ouvir esses sinais é uma maneira de cuidar da saúde de forma mais completa, antes que o desgaste emocional comece a comprometer também a qualidade de vida física”, conclui.
























