Estima-se que, por ano, sejam registrados entre 232 e 344 mil novos casos de AVC no Brasil
Dois minutos. Esse é o intervalo entre um caso e outro de AVC no Brasil, uma estatística que revela não apenas a gravidade da doença, mas também o tamanho do desafio que o país tem no campo da prevenção e do acesso rápido ao tratamento. Estima-se que, por ano, sejam registrados entre 232 e 344 mil novos casos de AVC no Brasil. Isso é o equivalente a 978 novos casos por dia1.
Apesar dos avanços da medicina, o AVC continua sendo um problema de saúde pública cercado de mitos e desinformação. Você sabe reconhecer os sinais de um derrame? E o que fazer nos primeiros minutos? Entender o que está por trás desses números pode ser essencial para proteger a sua vida e de quem você ama.
O Acidente Vascular Cerebral, conhecido como AVC, é uma doença vascular, ou seja, que está relacionada ao sistema circulatório. O AVC acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro se rompem ou ficam obstruídos, prejudicando a circulação sanguínea na área afetada, causando a morte de células nervosas e a consequente paralisia da região cerebral3,4.
Há dois tipos principais de AVC, classificados de acordo com a forma como ocorrem: o AVC hemorrágico e o isquêmico4. O hemorrágico ocorre quando há o rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. O sangramento pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge, membrana que envolve o encéfalo e a medula espinhal4. Esse tipo é responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas é o mais perigoso, levando à morte com mais frequência que o AVC isquêmico4.
Já o isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria que leva sangue ao cérebro, o que impede a chegada de oxigênio às células cerebrais, que acabam morrendo. Esse bloqueio pode acontecer devido a um coágulo de sangue, chamado de trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia), que pode ser um coágulo, bolha de ar ou gordura que se solta e viaja pela corrente sanguínea, podendo interromper o fluxo de sangue. O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos registrados no Brasil4.
Ainda que a causa direta do AVC seja a obstrução ou rompimento de vasos sanguíneos cerebrais, algumas condições podem aumentar as chances disso acontecer4, como distúrbios de coagulação do sangue, como a hemofilia, ferimentos na cabeça ou no pescoço, radioterapia para câncer no cérebro ou pescoço, arritmias cardíacas, doenças das válvulas cardíacas, defeitos cardíacos congênitos, inflamações nos vasos sanguíneos (vasculite), que podem ser provocadas por infecções como sífilis, tuberculose ou doença de Lyme, insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio.
Além das causas específicas, há fatores que aumentam a probabilidade de ocorrência de AVC em qualquer pessoa e estão relacionados principalmente a condições de saúde, estilo de vida e características individuais4. De acordo com o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs, pessoas com histórico familiar de AVC devem ter cuidado dobrado.
“Ter histórico de casos na família eleva o risco de AVC, porém fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e o aumento da idade, bem como determinadas formas de arritmia cardíaca, aumentam muito mais significativamente o risco de AVC. Nas mulheres, o risco de AVC tem a ver com sua maior longevidade e as alterações cardiovasculares que acompanham o processo de envelhecimento”, explica.
É possível prevenir o AVC?
A prevenção do AVC está relacionada com diminuir ou evitar ao máximo os fatores de risco da doença. Alguns deles não podem ser modificados, como a idade, o histórico familiar e o sexo. Porém, grande parte se relaciona diretamente ao estilo de vida e pode, sim, ser controlada no dia a dia4. As principais formas de prevenir o AVC são5 não fumar, evitar o consumo de álcool, restringir o consumo de sal, manter uma alimentação saudável, cuidar do peso, beber bastante água, praticar atividade física regularmente, manter a pressão arterial sob controle e controlar a glicose no sangue.
“Adotar esses cuidados simples no dia a dia não só reduz o risco de AVC, mas também ajuda a proteger contra diversas outras doenças crônicas, como alguns tipos de câncer, e alguns dos fatores de risco de AVC, como diabetes e obesidade”, reforça Borges, completando que o conhecimento sobre os sintomas do AVC pode ajudar a procurar atendimento o mais rápido possível, aumentando as chances de tratamentos efetivos e diminuição das sequelas.
Os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVC são4 confusão mental, alteração da fala ou compreensão, alteração na visão (em um ou ambos os olhos), dor de cabeça súbita, intensa e sem causa aparente, alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou no andar, e fraqueza ou formigamento em um lado do corpo (rosto, braço ou perna).
Ao notar qualquer um desses sintomas em você ou em algum amigo ou familiar, é fundamental acionar um atendimento médico de urgência, como o SAMU ou os Bombeiros, ou levar a pessoa imediatamente a um hospital para avaliação clínica detalhada. “Quanto mais rápido conseguimos iniciar o atendimento, maiores são as chances de o paciente sobreviver e ter uma recuperação mais completa”, afirma o cardiologista.





















