A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou a incorporação de abemaciclibe no SUS[2] para o tratamento de câncer de mama precoce receptor hormonal (RH) positivo e receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2) negativo, linfonodo positivo com alto risco de recorrência.[3] A recomendação acontece depois da Consulta Pública que ocorreu de 26 de agosto a 14 de setembro.[4] O processo agora está sob análise da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Sectics).
Abemaciclibe é um inibidor de ciclina aprovado no Brasil para tratamento de câncer de mama RH+/HER2- de alto risco[5]. O medicamento da Eli Lilly do Brasil leva à redução do risco de doença invasiva e de recidiva à distância, de 32% e 32,5% respectivamente, resultados que não eram observados há mais de 15 anos.[6] Abemaciclibe já é incorporado ao SUS para o cenário metastático[7], embora não esteja ainda disponível.3
“A recomendação final favorável da Conitec de abemaciclibe para o tratamento adjuvante do câncer de mama representa um avanço significativo na jornada das pacientes de alto risco, que embora tenham maior chance de evoluir para cenário metastático, seguem o mesmo protocolo padrão das mulheres com baixo risco. É uma decisão eficiente e que preza pela equidade”, afirma Luiz André Magno, Diretor Médico Sênior da Lilly
O câncer de mama feminino é o tipo de câncer mais incidente em todo o mundo. Globalmente, é a segunda principal causa de morte por câncer entre as mulheres – apenas no Brasil, em 2023, foram 18.032 óbitos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima para o triênio 2023-2025 mais de 73,6 mil novos casos, o que representa 30,1% dos cânceres em mulheres.[8] A tendência é que o número de casos continue a aumentar, sobretudo devido ao envelhecimento da população, às mudanças no comportamento e estilo de vida, além da melhoria nos métodos de diagnóstico.[9] Para os próximos anos, estima-se que uma em cada oito mulheres corram risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.[10]
Há um risco relevante nas pacientes com câncer de mama precoce RH+/HER2-, pois cerca de uma em cada três pode apresentar metástases em linfonodos, o que é considerado fator de risco significativo para recidiva e morte.[11] Além disso, 30% evoluem para uma doença metastática e incurável dentro de cinco anos do início do tratamento com terapia endócrina (TE)[12], trazendo alto impacto no sistema de saúde e na sociedade.
Aguarda-se a publicação em Diário Oficial da União (DOU), e então, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) deverá ser atualizado – o que pode levar, pelo menos, mais 180 dias.
“Essa incorporação está alinhada com os objetivos e prioridades da recém-publicada Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), que busca garantir o acesso ao cuidado integral, melhorar a qualidade de vida das pacientes e reduzir a mortalidade associada ao câncer de mama”, completa Magno.
O cuidado da descoberta da doença significa economia para o Estado e benefícios para a sociedade. O tratamento de câncer de mama em estágio avançado no SUS pode custar até 10 vezes mais que em estágios iniciais, com valores que variam de R$ 17 mil na fase precoce da doença até R$ 356 mil no estágio metastático.[13] Além disso, dados mostram que 4 em cada 10 mulheres deixaram de trabalhar após o diagnóstico da doença. Sem contar 40% dessas pacientes não retornaram às suas atividades após dois anos do diagnóstico.[14] A saída do mercado de trabalho devido ao tratamento de câncer de mama pode ter impactos econômicos e sociais profundos, uma vez que as mulheres representam cerca de 46% da força de trabalho total, 50,8% dos domicílios são chefiados por elas e 11,3 milhões é o número de domicílios com mães solo.[15]





















