A pasta investirá mais R$ 183,5 milhões no ciclo 2025/2026, valor exclusivo para ampliar o uso de tecnologias voltadas ao controle vetorial
Mesmo com a expressiva redução de 75% nos casos de dengue em 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, o Ministério da Saúde alerta que o combate ao Aedes aegypti deve continuar em todo o país. Nesta segunda-feira (3), a pasta lançou a campanha nacional “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”, apresentou o novo panorama epidemiológico e anunciou R$ 183,5 milhões em investimentos para ampliar o uso de novas tecnologias de controle do mosquito.
“Mesmo com essa melhora, não podemos baixar a guarda. A dengue continua sendo a principal endemia do país, e o impacto das mudanças climáticas amplia o risco de transmissão em regiões onde antes o mosquito não existia”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Atualmente, o Brasil registra 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, sendo 55% em São Paulo, seguido por Minas Gerais (9,8%), Paraná (6,6%), Goiás (5,9%) e Rio Grande do Sul (5,2%).
Os óbitos também caíram 72%, totalizando 1,6 mil mortes neste ano. A maior concentração está em São Paulo (64,5%), Paraná (8,3%), Goiás (5,5%), Minas Gerais (8%) e Rio Grande do Sul (3%).
30% dos municípios estão em alerta
De acordo com o 3º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre agosto e outubro em 3.223 municípios, 30% das cidades brasileiras estão em situação de alerta para dengue, chikungunya e zika. Os estados com maior risco de incidência são Mato Grosso do Sul, Ceará e Tocantins, localizados nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
O Ministério reforça que a prevenção precisa começar antes do período de maior transmissão. Por isso, foi marcado o Dia D da Dengue para este sábado (8), com mobilização nacional de gestores e comunidades em todo o país.
Novas tecnologias e controle do vetor
Com os R$ 183,5 milhões anunciados, o governo vai ampliar o uso de tecnologias inovadoras de combate ao mosquito, como o método Wolbachia, já presente em 12 cidades e que será expandido para mais 70 municípios — 13 deles ainda em 2025.
A técnica consiste em introduzir nos mosquitos a bactéria Wolbachia, que bloqueia o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya, impedindo a transmissão das doenças.
Em Niterói (RJ), primeira cidade a cobrir 100% do território com o método, os resultados são expressivos: queda de 89% nos casos de dengue e 60% nos de chikungunya.
Outras estratégias incluem o uso das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDL), a técnica do inseto estéril e a borrifação residual intradomiciliar, que aplica inseticidas de longa duração dentro das casas.
Campanha nacional e reforço da estrutura do SUS
Com o lema “Contra o mosquito, todos do mesmo lado”, a nova campanha mobiliza a população e os profissionais de saúde na eliminação dos criadouros e no reforço da responsabilidade coletiva.
O Ministério da Saúde também tem contado com o apoio da Força Nacional do SUS (FN-SUS), capaz de instalar até 150 centros de hidratação em cidades com alta incidência de casos.
Neste ano, foram distribuídos 2,3 milhões de sais de reidratação oral, 1,3 milhão de testes laboratoriais, 1,2 mil nebulizadores portáteis e instaladas 77,9 mil EDLs em 26 municípios.
Além disso, o país inaugurou em Curitiba (PR) a maior biofábrica de Wolbachia do mundo, com capacidade de produção de 100 milhões de ovos por semana.
Vacinação e produção nacional da vacina brasileira
A vacinação contra a dengue, iniciada em 2024, continua priorizando crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios com maior risco. O Brasil foi o primeiro país a oferecer o imunizante pelo sistema público de saúde (SUS).
Até outubro de 2025, 10,3 milhões de doses foram distribuídas aos estados, e mais 9 milhões estão previstas para 2026.
Durante visita à China, o ministro Alexandre Padilha firmou parceria com a empresa WuXi Biologics para ampliar a produção da vacina 100% brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A capacidade de produção será de 40 milhões de doses anuais a partir de 2026, e a Anvisa deve conceder o registro até o fim deste ano.
Prevenção é responsabilidade de todos
O Ministério da Saúde reforça que o controle da dengue e de outras arboviroses depende da ação conjunta entre governo e sociedade. Além do trabalho dos agentes de endemias, cada cidadão pode contribuir com atitudes simples:
- Instalar telas em janelas e usar repelentes em áreas de risco;
- Eliminar recipientes que acumulem água;
- Manter reservatórios e caixas d’água tampados;
- Limpar calhas, ralos e lajes;
- Apoiar as ações de prevenção e controle promovidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).





















