As Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), que incluem a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, estão se tornando um desafio crescente para a saúde pública brasileira. No mês dedicado à conscientização sobre essas condições, a Dra. Genoile Santana, gastroenterologista e diretora técnica da Clínica CliaGEN, referência em DIIs na Bahia e no Brasil, alerta para o aumento expressivo desses casos. De acordo com a médica, o cenário é preocupante: mais de 7 milhões de pessoas são afetadas por DIIs no mundo, e no Brasil a prevalência já ultrapassa 60 casos por 100 mil habitantes.
O crescimento anual médio de 7% entre 2015 e 2020 indica uma tendência que deve se manter nos próximos anos, especialmente entre adultos jovens.”Estamos observando um aumento significativo dessas doenças, principalmente nas regiões mais urbanizadas do país”, explica a especialista. As regiões Sul e Sudeste apresentam taxas mais elevadas em comparação ao Norte e Nordeste, o que pode ser atribuído ao maior grau de urbanização, melhor acesso aos serviços de saúde e padrões alimentares distintos.
Um estudo recente publicado na revista Nature aponta fatores ambientais como principais responsáveis pelo aumento das DIIs tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. A urbanização acelerada, a ocidentalização da dieta, consumo de alimentos ultraprocessados e poluição do ar estão diretamente relacionados à maior incidência dessas doenças. Além disso, o uso precoce de antibióticos e práticas de higiene excessiva durante a infância podem alterar o desenvolvimento do microbioma intestinal, elevando o risco de desenvolver DIIs.
Desafios da saúde pública brasileira
O impacto no Sistema Único de Saúde (SUS) é substancial. As DIIs exigem acompanhamento contínuo, uso de medicamentos de alto custo, internações frequentes e, em casos mais graves, procedimentos cirúrgicos. Isso gera não apenas um impacto financeiro significativo para o sistema público, mas também prejudica a qualidade de vida dos pacientes, com consequências na produtividade e no mercado de trabalho.
Para enfrentar esse cenário, Dra. Genoile recomenda estratégias preventivas que priorizem a promoção de hábitos alimentares saudáveis e menor consumo de ultraprocessados, além do estímulo à atividade física e combate ao tabagismo. “Políticas públicas voltadas à alimentação equilibrada desde a infância e pesquisas sobre a regulação do microbioma intestinal são fundamentais para prevenir o avanço das DIIs”, alerta a médica.
A conscientização pública também desempenha papel fundamental. “Campanhas informativas contribuem significativamente para o diagnóstico precoce, reduzindo complicações e custos do tratamento”, afirma a especialista. A informação ajuda a combater o estigma social, favorece o autocuidado e estimula mudanças de comportamento necessárias.
Segundo a gastroenterologista, a expectativa é que a prevalência continue aumentando nos próximos anos, principalmente nas regiões mais urbanizadas e economicamente desenvolvidas do Brasil. Esse cenário exige uma resposta coordenada entre os setores público e privado para garantir acesso ao diagnóstico e tratamento adequados.
No campo da pesquisa, áreas prioritárias incluem o estudo dos mecanismos genéticos e imunológicos das DIIs, a influência do ambiente e da dieta sobre o microbioma intestinal, o desenvolvimento de terapias personalizadas e o aprimoramento de tecnologias diagnósticas. Os Centros de Referência brasileiros, como a CliaGEN, já participam dos principais ensaios clínicos para pesquisa de novos medicamentos e estratégias de tratamento, buscando respostas mais eficazes para esse desafio crescente da saúde pública nacional.





















