Apesar dos resultados rápidos, uso de medicamentos para emagrecimento sem mudança de hábitos pode trazer impactos silenciosos ao coração
O uso crescente de canetas emagrecedoras tem levado muitas pessoas a uma perda de peso rápida. O que parece positivo em um primeiro momento, pode continuar significando um risco à saúde cardíaca, mesmo após a eliminação dos quilos extras, alerta o cardiologista Ricardo Ferreira, especialista em Arritmia Clínica pelo Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese.
Segundo o cardiologista, a obesidade é um fator de risco para o coração, por isso, o emagrecimento é importante, mas a redução do peso corporal, isoladamente, não garante proteção cardiovascular. “A perda de peso na balança é positiva para o coração, mas, sem mudança de hábitos, ela cria uma falsa sensação de saúde”, explica. De acordo com o médico, muitos pacientes passam a acreditar que estão saudáveis apenas pelo emagrecimento visível, mesmo mantendo fatores de risco importantes.
O especialista reforça que as canetas podem ser aliadas no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças estruturais no estilo de vida. “As canetas emagrecedoras facilitam o emagrecimento, mas isso não significa que o risco cardiovascular esteja resolvido”, afirma. Quando usadas sem acompanhamento médico e sem reeducação alimentar, elas podem favorecer o chamado efeito sanfona.
“O efeito sanfona não é saudável nem para o peso, nem para o coração”, alerta o cardiologista. Oscilações frequentes de peso estão associadas a maior sobrecarga metabólica e cardiovascular, além de dificultarem o controle da pressão arterial e do colesterol ao longo do tempo.
Outro ponto destacado por Dr. Ricardo é que hábitos nocivos continuam impactando o coração, independentemente do peso corporal. “Alto consumo de sódio, frituras, álcool em excesso e sono inadequado aumentam o risco cardiovascular até em pacientes magros”, ressalta. Segundo ele, é comum encontrar pessoas com peso normal, mas com hipertensão, arritmias ou doença coronariana silenciosa.
Para o cardiologista, a mensagem central é clara: emagrecer é importante, mas não o suficiente. “A obesidade é um fator de risco relevante, mas a forma como se emagrece precisa estar ligada a mudanças no dia a dia para gerar impacto real na saúde do coração”, conclui.





















