O Brasil voltou a figurar entre os 20 países com o maior número de crianças não vacinadas no mundo, segundo um novo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O levantamento mostra que, em 2024, cerca de 14,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam sequer uma dose de vacina, sendo classificadas como “zero-dose”. Esse dado representa um retrocesso preocupante, especialmente para o Brasil, que havia saído dessa lista em anos anteriores, mas agora retorna, indicando uma queda na cobertura vacinal infantil.
O relatório destaca que, apesar de avanços em algumas regiões, a estagnação e até o retrocesso na imunização infantil continuam afetando milhões de crianças, sobretudo em países com grandes populações e desigualdades territoriais – como é o caso do Brasil. Especialistas apontam diversos fatores para esse cenário: a disseminação de desinformação sobre vacinas, o enfraquecimento das campanhas de vacinação, a redução de recursos para o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e dificuldades logísticas em alcançar comunidades isoladas, como indígenas, ribeirinhos e áreas periféricas urbanas.
Esse retorno à lista dos 20 países mais preocupantes em relação à vacinação infantil acende um alerta sobre o risco de reemergência de doenças antes controladas, como sarampo, poliomielite, difteria e coqueluche. A cobertura da vacina tríplice (difteria, tétano e coqueluche), por exemplo, está aquém da meta de 95% recomendada pela OMS para garantir a chamada imunidade de rebanho. Em muitas regiões brasileiras, especialmente no Norte e Nordeste, a taxa de vacinação está bem abaixo desse patamar, deixando milhões de crianças vulneráveis.
A OMS reforça que países como o Brasil, que possuem um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, têm capacidade técnica e estrutura para reverter esse cenário, desde que haja vontade política, investimentos consistentes e estratégias eficazes de comunicação. O reforço de campanhas de vacinação, o combate à desinformação e o fortalecimento da atenção primária são caminhos urgentes para evitar que o país mergulhe ainda mais em um quadro de retrocesso sanitário. O direito à vacina é um direito à vida — e nenhuma criança deveria estar fora desse cuidado essencial.





















