A gestrinona não é um medicamento indicado para emagrecimento, mas passou a ser associada a promessas de perda de peso, ganho de massa muscular e definição corporal. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo, e cita expressamente a gestrinona ao alertar sobre o uso dessas substâncias.
A gestrinona é um esteroide sintético com ação hormonal e tem histórico de estudo principalmente em condições ginecológicas, como a endometriose. Para a médica que atua no setor de nutrologia Daniela Mincis (CRM207807), da Revion International Clinic, o problema está em transformar uma substância de ação sistêmica em recurso para mudar o corpo. “Não estamos falando de um suplemento ou de algo que age apenas onde a pessoa gostaria de perder gordura ou ganhar definição. Existe uma ação no organismo inteiro, e um efeito hormonal não pode ser confundido com benefício estético comprovado”, explica.
A própria literatura médica ajuda a mostrar por que essa associação exige cautela. Estudos realizados com mulheres que utilizaram gestrinona para tratar endometriose registraram efeitos como acne, ganho de peso e alterações no perfil de colesterol em determinados regimes. Essas pesquisas não avaliaram emagrecimento ou definição corporal e não permitem prever o que acontecerá com cada paciente, mas reforçam que a substância não pode ser reduzida à ideia de um recurso para “secar”. “Efeito, benefício e indicação médica são coisas diferentes. O fato de uma substância provocar mudanças no organismo não significa que essas mudanças sejam seguras, desejáveis ou que possam ser vendidas como estratégia para transformar o corpo”, afirma Daniela. A gestrinona também integra a lista de substâncias anabolizantes sujeitas a controle especial da Anvisa.
No caso de implantes hormonais manipulados à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos, a agência mantém proibido o uso para estética, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. De acordo com a cirurgiã plástica Ana Penha Ofranti (CRM 203497 | RQE 127618), da Revion International Clinic, o desejo de melhorar contorno e proporção corporal é legítimo, mas não pode transformar um hormônio em solução rápida. “Quando existe uma questão de peso, composição corporal ou alteração hormonal, é preciso investigar a causa e definir a conduta adequada. Estética não pode ser justificativa para ignorar saúde”, conclui.

























