Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado um aumento significativo no consumo de opioides, medicamentos analgésicos potentes utilizados no tratamento de dores intensas. Esse crescimento acende um alerta para possíveis riscos de dependência e abuso dessas substâncias.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam que, entre 2009 e 2015, as vendas de opioides no país cresceram 500%, passando de 1.601.043 para 9.045.945 prescrições médicas. A codeína, indicada para dores moderadas, representou mais de 90% das prescrições nesse período.
Em 2019, uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que 4,4 milhões de brasileiros já haviam utilizado opioides sem prescrição médica, correspondendo a 2,9% da população. Esse número é três vezes superior ao de usuários de crack no país.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também registrou um número expressivo de pacientes em tratamento com opioides. Em 2022, mais de 33,2 mil brasileiros utilizaram esses medicamentos para tratar dores crônicas, com destaque para a morfina (51,39% dos casos) e a codeína (28,24%).
Especialistas alertam para os riscos associados ao uso inadequado de opioides, incluindo o potencial de dependência e overdose. A experiência dos Estados Unidos, que enfrenta uma crise de saúde pública devido ao abuso dessas substâncias, serve como um alerta para o Brasil.
Diante desse cenário, é fundamental que as autoridades de saúde implementem políticas de monitoramento rigoroso da prescrição e distribuição de opioides, além de promoverem campanhas educativas sobre os riscos do uso indiscriminado desses medicamentos. A conscientização da população e a capacitação dos profissionais de saúde são essenciais para prevenir uma possível crise de opioides no país.