Vermelhidão, descamação, coceira e placas persistentes na pele nem sempre são apenas sinais de ressecamento e podem estar relacionadas a uma doença inflamatória e imunomediada que afeta diferentes regiões do corpo e pode ser confundida com alterações comuns da pele. No Dia Mundial da Psoríase, celebrado em 29 de outubro, o alerta é para a importância de reconhecer os sinais e buscar avaliação médica sobre a doença.
A dermatologista Viviane Maiolini, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), explica que as lesões podem aparecer em diferentes regiões do corpo. Cotovelos e joelhos estão entre os locais mais frequentes, mas o quadro também pode atingir o couro cabeludo, as axilas e as virilhas. Dependendo da região, os sinais podem se parecer com problemas mais comuns, como a caspa intensa.
“Pode parecer caspa intensa ou dermatite seborreica que não melhora no couro cabeludo. Também pode afetar as unhas, causando inflamação e presença de pus na região. Por isso, se o paciente apresentar essas lesões ou manchas e placas avermelhadas e descamativas no corpo ou na região genital, que podem vir acompanhadas de coceira ou dor, é importante consultar um dermatologista para receber o diagnóstico e o tratamento adequados”, explica a Dra. Viviane, que atua na área de doenças imunomediadas e é especialista em cirurgia dermatológica e oncologia cutânea.
Uma das diferenças entre a psoríase e o ressecamento comum está no aspecto e na persistência das alterações. A pele seca pode apresentar descamação e coceira, especialmente em períodos de baixa umidade ou após a exposição a fatores que favorecem a perda de hidratação. Já a psoríase costuma provocar placas inflamadas, que podem apresentar descamação e persistir mesmo com medidas simples de hidratação.
“A psoríase é uma doença imunomediada e inflamatória da pele. Já o ressecamento comum pode ocorrer em qualquer pessoa”, acrescenta a especialista.
Hábitos que podem piorar os sintomas
Alguns cuidados no dia a dia podem ajudar a preservar a barreira da pele e evitar fatores que favorecem o ressecamento e a irritação. Banhos muito quentes e prolongados, por exemplo, podem retirar parte da oleosidade natural da pele. Por isso, a recomendação é optar por água morna, reduzir o tempo do banho, utilizar sabonetes menos abrasivos, evitar esfregar a pele e aplicar hidratante após o banho.
A hidratação pode contribuir para reduzir o ressecamento e o desconforto, mas não substitui o tratamento indicado pelo dermatologista quando há psoríase.O estresse também merece atenção. De acordo com Dra. Viviane, ele pode contribuir para a piora das manifestações da doença, mas não é considerado a causa da psoríase.
O estresse não causa psoríase. A doença tem origem genética e imunológica, mas situações de estresse podem agravar o quadro. Isso pode acontecer porque o paciente fica mais preocupado com a condição e pode manipular as lesões, o que pode contribuir para a piora da psoríase”, esclarece.
Outro ponto é o chamado fenômeno de Koebner, que pode ocorrer quando a pele sofre algum tipo de trauma ou atrito. Em pessoas com psoríase, lesões provocadas por arranhões, cortes ou outras agressões à pele podem favorecer o aparecimento de novas lesões na região. Por isso, coçar ou manipular as placas deve ser evitado.
Psoríase não é contagiosa
Apesar de suas manifestações visíveis, a psoríase não é uma doença contagiosa, pois o contato com as lesões não transmite a condição para outras pessoas.“Psoríase é uma predisposição da pessoa. Pode tocar na lesão, ela não é contagiosa”, reforça a dermatologista.
A condição também exige uma abordagem que considere a saúde de forma ampla. Por ser uma doença inflamatória sistêmica, a psoríase pode estar associada a outras condições, como hipertensão, síndrome metabólica e alterações cardiovasculares. Por isso, o acompanhamento médico é importante para avaliar o paciente de forma integral.
“A psoríase é uma doença inflamatória sistêmica, que acomete principalmente a pele e pode ocorrer também nas articulações, causando a artrite psoriática. Porém, está provado que quem tem psoríase apresenta maior risco cardiovascular e de desenvolver síndrome metabólica. Logo, é interessante procurar atendimento médico para diagnosticar e tratar a psoríase e suas possíveis comorbidades”, orienta a Dra. Viviane.