Em Fernando de Noronha, mães de crianças neurodivergentes estão encontrando no tratamento com canabidiol (CBD) uma alternativa para melhorar a qualidade de vida de toda a família.
A professora Rayane Dixie dos Santos, mãe solo de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH, relata que vivia uma rotina exaustiva marcada por crises frequentes de agitação e agressividade do filho. A sobrecarga dos cuidados levou a um quadro de ansiedade generalizada e problemas de sono. Após o início do tratamento com canabidiol, em março deste ano, ela observou uma redução significativa das crises e melhora no comportamento da criança.
O tratamento foi viabilizado pelo Projeto Noronha, uma iniciativa da Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), da Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e da Administração Distrital da ilha. Desde fevereiro, o projeto já realizou 126 consultas gratuitas e distribuiu 221 frascos de óleo de canabidiol.
Além do atendimento às crianças, a iniciativa também acolhe mães que enfrentam desafios emocionais decorrentes da sobrecarga dos cuidados. Muitas relatam quadros de ansiedade, depressão e insônia. O projeto prevê ainda a criação de uma sede permanente para oferecer acompanhamento, orientação e suporte às famílias neuroatípicas da ilha.
A ação ganha relevância diante das dificuldades de acesso à saúde em Fernando de Noronha, que conta com apenas uma unidade pública de atendimento. Casos mais complexos precisam ser encaminhados para Recife, a mais de 500 quilômetros de distância.
Especialistas apontam que o canabidiol pode auxiliar no controle da agressividade, da ansiedade, da insônia e da hipersensibilidade sensorial, especialmente em pessoas com TEA, sem provocar sedação intensa. O tratamento tem sido estudado como uma alternativa complementar para melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares.
A experiência de Fernando de Noronha mostra como o acesso a tratamentos inovadores, aliado ao acolhimento das famílias, pode transformar realidades e ampliar o cuidado em saúde mental e neurodivergência.





















